19 de Junho de 2024

Acordámos cedo, antes da povoação. Teríamos uma viagem pela frente e haveria que começar o dia o quanto antes. As mochilas tinham ficado preparadas de véspera e agora era só sair de casa, passar a chave sob a porta e iniciar a aventura de mais um dia no Brasil.

Antes de deixar Goiás para trás, uma breve paragem na padaria já nossa conhecida para comprar abastecimentos para a viagem e depois, a caminho.

Uma casa de Pirenópolis

Ainda muito próximo, quase à saída da cidade, uma paragem para ver melhor a bonita igreja de Nossa Senhora da Aparecida, que já trazia referenciada de Portugal e que tinha sido avistada à chegada.

Depois foram horas de estrada. Paisagens mutantes, alguns povoados, retratos da vida na região. A nota maior vai para a aventura da Estrada Federal 070, basicamente a única opção para viajar até Pirenópolis. Já a tínhamos encontrado a caminho de Goiás e infelizmente tivemos que a percorrer de novo no sentido inverso. Pelo menos já sabíamos com o que contar: aquela alternância entre asfalto e terra batida com alguns troços num estado mesmo muito mau.

Uma igreja a caminho

Fizemos uma pequena paragem num pequeno lugar onde uma imaculada igreja de pintura fresca se destacava. Um cheirinho do Brasil profundamente rural.

Eventualmente chegámos a Pirenópolis a meio da tarde. Tinha reservado uma pequena casinha num espaço periférico, mas para lá chegar tive que atravessar a cidade e fiquei com uma ideia do lugar: mais agitado do que Goiás e também maior.

A casinha e o carro

A casinha era adorável. Não perfeita, mas mesmo assim uma bela escolha. Nunca consegui esquecer o odor desagradável, penso que da madeira usada em algumas partes da casa, ou talvez do produto aplicado para o seu tratamento. Mas era um lugar sossegado como nenhum outro e muito pitoresco. O quarto era numa espécie de mezzanine e ao lado da cama de chão uma enorme janela abria, nivelada com o colchão, permitindo um contacto mais directo com a natureza que rodeava a propriedade.

E para melhorar o cenário, ali mesmo ao lado corria um riacho comum trilho que o acompanhava e onde podíamos entrar a partir do terreno da casa. Foi isso que fizemos logo após nos instalarmos. Chegámos a um ponto onde o curso de água alargava, formando diversas piscinas naturais. Não estava mais ninguém para além de um homem nu de longas barbas de aspecto de eremita.

Vista da caminha

Nas margens alguém formou pedras de dimensões diversas de maneira a criar confortáveis poltronas naturais. Estava um belo final de tarde.

No regresso segui adiante o curso, não saindo imediatamente no acesso da casa. Fui mesmo até ao início da cidade, que se podia alcançar usando o trilho, que era na realidade o acesso mais curto – para ir a pé – que havia para o centro.

O riacho

Regressei, pegámos no carro e fomos comer qualquer coisa e ver melhor o núcleo histórico de Pirenópolis.

É bonito, mas muito mais movimentado e turístico do que Goiás. Existem duas ruas com muitos restaurantes e lojas vocacionadas para os visitantes e vêem-se mesmo “gringos” por ali.

Outra bonita casa de Piri

Andámos um pouco mais. Passámos junto à principal igreja da cidade (no cabeçalho deste artigo). Queria visitar o recinto do Cavalhódromo – onde se fazem os espectáculos e celebrações equestres famosas de Piri – mas disseram-me que estava em obras e não havia como entrar.

Acabámos por “jantar” mais um pastelão, talvez o melhor que experimentei nesta viagem, num restaurante da especialidade sintomaticamente chamado Vila Pastel.  E assim foi este dia. Depois, seguiu-se um serão relaxante na deliciosa casinha, onde apenas se ouvia um suave sopro de vento. Muito bom.

 

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