20 de Junho de 2024

A primeira coisa neste belo dia em Pirenópolis foi um “banho” de natureza. Estava na altura de começar a visitar as afamadas “cachoeiras”, como no Brasil se chamam a cascatas ou quedas de água. Todas as pessoas da região que fui conhecendo se inflamavam de entusiasmo ao falar das “cachoeiras”. É um tema recorrente, vê-se que é importante para os brasileiros, as “cachoeiras” são assunto sério, com capacidade para alimentar longas conversas nas quais se discute todos os aspectos das favoritas de cada um.

Considerando a base em Pirenópolis tinha algumas opções. Optei pela Reserva Ecológica da Vargem Grande. Nem sei bem porquê. Talvez porque o acesso era bem claro, encontrei o website oficial que continha informação detalhadas, oferecia três “cachoeiras” não demasiado distantes para visitar a pé.

E assim foi. Conduzindo o “diabólico” carro – robusto e capaz de ultrapassar quase qualquer obstáculo – lá fomos, depois de deixar o asfalto para trás, por um estradão sinuoso montes acima, muito pó, alguns buracos, mas certamente na direcção certa.

Ainda antes de chegar à entrada da Vargem Grande uma paragem num miradouro onde um homem cortava matos com uma roçadeira.

E depois, sim, a Reserva, onde uma simpática funcionária nos fez um briefing e cobrou os bilhetes de entrada. Três quedas de água, um passeio agradável pelo meio da natureza, sem grande esforço. O único desconforto veio de algum calor, especialmente ao passar por zonas mais “carecas” onde a ausência de sombra acentuou o poder do sol forte.

Cada uma das “cachoeiras” tem um nadador-salvador. Afinal, são os lagos que se formam onde a água cai que fornecem a correspondência à ida à praia para estas populações do interior. E que tentadoras são as lagoas, apesar da temperatura muito baixa da água.

Na primeira ficámos um pouco, até porque o responsável ainda não tinha chegado – tínhamos vindo ao abrir e não havia ninguém. A segunda não tinha muita piada e estava um homem a usufruir do local, foi uma passagem mais rápida. A terceira era a mais bonita, um cenário idílico onde até havia areia.

Antes de deixarmos para trás a Reserva tomámos uma bebida bem fresca no café da recepção. Ali perto uns passarões exóticos disputavam o território numa algazarra indescritível.

De regresso a Pirenópolis almoçámos regiamente, num restaurante de comida à discrição. Depois, fomos em busca de um supermercado, que encontrámos, e explorámos um pouco a pequena cidade. Nada de especial, umas igrejas, o pessoal a desfrutar do curso de água que passa ali pelo meio. Bom de ver. Ainda foi uma boa caminhada por zonas mais marginais, deixadas ao abandono, longe do foco turístico.

Descansámos umas horas em casa. Afinal, temos ali um pequeno paraíso e depois de dias bem preenchidos estava na altura de abrandar, escutar o vento e deixar simplesmente o tempo passar.

Quando a fome apertou, já depois do sol posto, descemos à cidade para jantar. Depois de muito calcorrear, de observar as várias opções e colocar problemas em quase todas e de descartar a mão cheia que simplesmente estava encerrada, acabámos por nos sentar na esplanada de uma tasca local, o que veio a ser uma excelente opção.

Comi um belo hamburger e o ambiente estava muito bom, temperatura certa, a tasca nem vazia nem cheia, bom para observar as pessoas que iam e vinham.

Não se fez muito mais. Pirenópolis morre um pouco, sente-se que a estrutura está lá, para receber muitos visitantes, mas não seria nem a época nem a parte da semana. Passeámos um pouco, seguindo o instinto, por vezes atraídos pelo som de música ou de vozes, outras por um detalhe chamativo.

E foi assim. Restava caminhar calmamente até ao carro e conduzir para casa. Uma noite passada no silêncio absoluto do campo.

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